domingo, 11 de setembro de 2011

O COMBATE FERRARI VERSUS FORD (12)

De Daytona aos testes de Le Mans...

por Mestre Joca http://mestrejoca.blogspot.com 

Os dois primeiros rounds do Campeonato Mundial de Marcas de 1966 foram amplamente favoráveis à Ford. Na etapa inicial em Daytona, a fábrica americana conseguiu convencer os organizadores a estender a corrida para 24 horas em vez dos 2.000 km habituais, uma clara tentativa de testar ainda mais os Ford MKII de 7 litros com vistas a Le Mans. E com a não participação oficial da Ferrari, a única ameaça poderia vir do renovado Chaparral-Chevrolet de 5.4 litros, numa nova versão com spoiler móvel na traseira.

Na corrida, deu-se o esperado. Dos cinco Ford MK IIA inscritos, quatro chegaram ao final ocupando ainda as três primeiras posições: Ken Miles/Lloyd Ruby, Dan Gurney/Jerry Grant (ambos da Shelby American inc.) eWalt Hangsten/Mark Donohue, este último da Holman & Moody.

A melhor Ferrari vinha em quarto, uma superada 365P2, pilotada pela dupla Pedro Rodriguez/Mário Andretti, seguida de outro Ford MK IIA em quinto, o de Bruce McLaren/Chris Amon, o último inscrito pela Shelby American Inc.

O único Mark IIA a não chegar ao final foi o da dupla Ronnie Bucknum/Richie Ginther (Holman & Moody) por quebra da caixa de câmbio. Destino semelhante teve o potencial desafiante Chaparral-Chevrolet, retirado no meio da corrida por problemas elétricos e, por fim, a quebra da suspensão traseira.

A etapa seguinte, as 12 Horas de Sebring, foi o primeiro combate direto entre a Ford e a Ferrari naquele ano. A fábrica americana mostrou sua força e a vontade de vencer em Le Mans ao inscrever seis carros oficiais, inclusive uma novíssima versão spyder do Mark IIA, denominada Ford GT X-1, contra a presença de apenas duas Ferrari, uma 330p3 Barquetta de 4.0 litros e outra Dino 206 S Berlineta de 2 litros. Outra presença marcante eraa dos Ford P40 da Alan Mann racing, uma versão mais leve e mais rápida que os GT-40, equipados com o motor V8 de 4.7 litros. A terceira força vinha de dois novos Chaparral-Chevy da equipe de Jim Hall, mas sem as asas móveis na traseira que apresentara em Daytona.

Ao fim dos treinos, a pole é do Ford Mark IIA de Dan Gurney/Jerry Grant, seguido da Ferrari 330P3 de Mike Parkes/Bob Bondurant, do surpreendente Ford P40 de Grahan Hill/Jackie Stewart, do Ford MKIIA de Walter Hangsgen/Mark Donohue, do outro MKII GT X-1 de Ken Miles/Lloyd Ruby e do primeiro Chaparral 2D, o a dupla Jim Hall/Hap Sharp.

Na corrida, após a largada estilo Le Mans, quem vem na liderança é a Ferrari Dino 206S de Lorenzo Bandini/Lodovico Scarfiotti, seguida do Ford P40 de Grahan Hill e o restante do pelotão. Mas à medida que a corrida evolui, a verdade se estabelece. Mike Parkes (Ferrari 330P3) lidera, seguido do Ford GT X1 de Ken Miles, o MKIIA de Dan Gurney e o P40 de Grahan Hill. No meio da corrida, os Chaparral abandonam, um por perda de óleo do motor, outro por quebra da suspensão. Também o Ford MKIIA de cãmbio automático de A. J. Foyt/Ronnie Bucknum pára por problemas de freio.

A ordem da corrida neste momento é Dan Gurney/Jerry Grant, Mike Parkes/Bob Bondurant (Ferrari), Ken Miles/Lloyd Ruby e Pedro Rodriguez/Mário Andretti (Ferrari 365P2). A menos de duas horas para o final, Bob Bondurant (Ferrari 330P3) pára no circuito com o câmbio engripado. O mesmo se dá com a 365P2 de Mário Andretti algumas voltas mais tarde que, tentando alcançar os boxes atinge o Porsche 906 de Don Wexter, lançando-o de encontro ao público e matando quatro pessoas. Antes, durante a quarta hora de corrida, o canadense Bob Mclean ao volante de um Ford Gt-40 atingira um poste telefônico. Seu carro pegara fogo e Mclean morrera no meio do incêndio.


Mas a meros três minutos do final e ainda na liderança, Dan Gurney tem uma quebra de motor e, apesar de empurrar o carro até a linha de chegada, ele é sobrepujado nos metros finais pelo Ford GT X1 de Ken Miles/Lloyd Ruby. Em seguida chegaram os Ford MKIIA de Walt Hansgen/Mark Donohue e Pter revson/Skip Scott. A melhor Ferrari foi a Dino 206S de Bandini/Scarfiotti, em quinto lugar, que deram um show nesta corrida, disputando várias vezes a liderança com os protótipos da Ford.

Até ali, a Ford lavrara duas vitórias contra nenhuma da Ferrari e uma semana mais tarde os dois contendores se encontraram nos testes de abril em Le Mans.No circuito de la Sarthe, a Ford apareceu com dois protótipos MKIIA. Um inscrito pela Shelby American Inc. e outro pela Holman & Moody, além da sua "arma secreta", o Ford J, capaz de atingir 400 Km/h na reta de Mulsanne e virar tempos de 3m 30s, de acordo com as simulações de computador.

Tragédia em Le Mans.


Numa manhã de sábado chuvosa, Walt Hansgen é o primeiro a sair ao volante do Ford MKIIA da Holma & Moody. Após suas primeiras passagens, o carro aquaplanou logo após as retas dos boxes. Piloto experiente, Hansgen tentou salvar o protótipo fazend0-o se chocar contra a proteção de terra na beira da pista. Mas a velocidade era muito alta e o protótipo dobrou-se ao meio, prendendo Hansgen entre as ferragens. Tem início um dos episódios mais vergonhosos da história de Le Mans.

Completamente despreparados para o resgate e com equipamento ultrapassado, os fiscais de pista são incapazes de retirar Walt Hansgen do carro acidentado. Isso força a própria Ford a utilizar seu pessoal e ferramental mais moderno e adequadoa fim de salvar o piloto das ferragens. Melindrados, os fiscais franceses tentam impedir a ação do americanos e enquanto discutem, alguém da equipe Ford retira o piloto que é imediatamente transportado para um hospital próximo a Le Mans. Seriamente machucado, Walt Hansgen morreria cinco dias depois.

Para os espectadores dos testes de Le Mans, mais uma surpresa: nenhuma Ferrari 330P3 oficial se apresenta. Os rumores dão conta que isso é parte da estratégia de Enzo Ferrari para enfrentar a Ford, mas a verdade é que os problemas sociais na Itália calaram forte em Maranello. Dos oito protótipos 330P3 propostos, somente dois estão realmente prontos. Mas para a Ford, os problemas também não haviam terminado.

Treinando com o carro da Shelby American, ken Miles sai da pista e avaria seriamente o outro MKIIA. Enquanto aguarda os reparos, Miles treina com o Ford J da Kar Kraft, a "arma secreta" para Le Mans.


E os resultados são decepcionantes: o carro tem sérios problemas de dirigibilidade na reta de Mulsanne e jamais atingiu os esperados 400 Km/h. Seu melhor tempo foi de 3m34s4, a "decepcionantes" 226 km/h de média ! Não muito melhor fez Ken Miles ao volante do recuperado Ford MKIIA ao marcar 3m36s, m uito abaixo do esperado. Se o carro parecia ter ganhado em confiabilidade, perdia em velocidade. Ganhar em le Mans pareceia bem mais dificil que Daytona e Sebring.

(fotos reprodução)

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