sábado, 18 de julho de 2009

Entrevista com Ari Vatanen, pretendente ao cargo de Mosley

por Anderson Puiatti

Ari Vatanen foi o melhor piloto de rally dos ultimo tempos. Ele éum dos candidatos ao cargo de presidente da FIA. Possivelmente seu concorrente seja Jean Tod, ex-diretor da Ferrari, que tem apoio de Max Mosley para eleição. Vatanen deu uma entrevista ao site ingles F1 Fanatics , que a tradução foi feita pelo nosso parceiro Autoracing.

Max Mosley disse que quer que Jean Todt o suceda. O que você acha disso?
Não importa que você seja Ari Vatanen, Jean Todt, Keith Collantine ou qualquer outra pessoa. Você não herda o direito de concorrer. Você recebe esse direito se as pessoas votarem em você. Acredito que o presidente deveria permanecer neutro.

Quando você decidiu concorrer?
Eu jantei com o presidente da federação francesa de automobilismo, Jacques Regis, em Paris algumas semanas atrás e ele me lembrou: “Ari, eu te disse cinco anos atrás que você era uma das melhores pessoas que eu conhecia para suceder Max na FIA.” Na época eu disse que não poderia, pois era membro do parlamento europeu. E por causa de tudo que vem acontecendo desde o ano passado eu pensei que agora fosse uma boa oportunidade.

Quando você vai anunciar os membros do seu gabinete?
Na semana que vem, antes do GP da Hungria. Não quero desmerecer ninguém do pessoal de Jean Todt, mas creio que o meu pessoal tem muita credibilidade.

Jean Todt é visto como o candidato de Mosley e você como candidato da FOTA (Associação das equipes da F1). Você diria que essa é uma impressão certa?
Não, de jeito nenhum. Não acredito que a única alternativa a visão da FIA seja a da FOTA. Olhe meu histórico de votação no parlamento europeu e veja que eu sempre fiquei ao lado do consumidor. Na Formula 1 nossos consumidores são as montadoras. Se nós não proporcionarmos a eles um ambiente atrativo de negócios, eles vão procurar isso em outro lugar. Jogos de poder como temos visto ultimamente são auto-destrutivos. Se eles acharem que estão desperdiçando dinheiro e o dia a dia é difícil por causa da falta de estabilidade – que é algo que grandes empresas buscam – eles simplesmente saem. Eu quero acabar com essa abordagem unilateral.

Grande parte do seu trabalho no parlamento europeu foi voltado a segurança nas ruas e estradas. O que você espera conseguir nesse quesito sendo presidente da FIA?
Não é apenas uma questão de segurança, é sobre valorizar a vida. A causa mais nobre de um ser humano é proteger a vida do ser humano. É preciso entender a importância do transporte rodoviário. Nove de cada dez vezes as pessoas escolhem fazer uma viagem de carro por causa das vantagens que isso proporciona. Os políticos tem que entender que as pessoas não estão erradas ao tomarem essa decisão, elas estão apenas escolhendo o que consideram melhor. Não sou contra o transporte publico, mas motoristas privados pagam altas taxas e impostos e acho que eles devem ser tratados de maneira justa. A sociedade atual não funciona com ruas e estradas ruins (!). Elas tem que corresponder as expectativas de seus usuários. Os carros melhoraram muito mais na questão de segurança do que as ruas e estradas e isso eu não acho certo.

Voltando a F1, limite orçamentário tem sido um ponto dos mais importantes das negociações da F1. Você é a favor do limite?
Coisas como essa tem que ser feitas de uma maneira inteligente. A Ferrari é um exemplo brilhante disso. Eles produzem apenas 6 mil carros por ano e mesmo assim são capazes de ter uma equipe de F1. Isso é graças ao valor da marca que eles construíram e os patrocinadores que foram capazes de conquistar. Você não pode chegar na Ferrari e dizer: “A F1 é muito cara” porque o conceito de negócio deles é sólido. Você tem que negociar com todos e não apenas chegar com uma proposta para mudar tudo de uma hora para outra.

A F1 deveria voltar a correr na América do Norte?
Sim, lógico. Com certeza voltaremos.

Mesmo que o circuito não pague tanto quanto, digamos, Abu Dhabi ou Bahrain?
Mais uma vez, é como tudo na vida – você tem que trazer todos à mesa e conversar. Sou uma pessoa que acredita em todos os mercados. Não podemos ter corridas só onde pagam fortunas. Se alguns lugares que fazem parte do nascimento do esporte a motor estão sem corridas, então é porque fomos longe demais. Existem razões para mudarmos uma corrida ou outra em anos diferentes, mas não podemos fazer isso com o campeonato todo, assim como não podemos garantir às pessoas que elas sempre terão seu GP.

Se mudarmos muito os locais de corrida isso tem um aspecto negativo na audiência. Você vê isso nas arquibancadas e na TV. Se as pessoas querem ir à corrida e levar suas famílias, mas não podem, quem vai pagar pelo nosso esporte? É sempre uma questão do consumidor. Se eles não ficam felizes então você tem um problema.

Texto original: F1 Fanatics
Tradução: Autoracing

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